Crítica: “Millenium” A Garota na Teia da Aranha

A garota que fez um bom filme…

Crítica: “Millenium” A Garota na Teia da Aranha
Lisbeth Salander (Claire Foy) in Columbia Pictures’ THE GIRL IN THE SPIDER’S WEB.

Baseado no quarto livro da série “ Millenium ”, o filme A Garota na Teia da Aranha, dirigido por Fede Álvarez e roteirizado por Steven Knight, Álvarez e Jay Basu, traz novamente às telas a hacker e criminosa Lisbeth Salander em uma nova trama de espionagem internacional.

Apesar de ser considerado um crime/thriller, este filme traz na trama um tema recorrente de obras de espionagem modernas, ao bom estilo Tom Clancy, sobre uma ameaça à segurança mundial e sua inter-relação com a era da superinformação. Alguns clichês conhecidos na trama fazem o enredo como um todo seguir em frente, porém não estragam a diversão e a adrenalina que as sequências de ação e tensão dramática oferecem. Realmente não há grandes atuações, porém é repleto de momentos de ação de tirar o fôlego e uma boa dose de suspense.

Infelizmente o ator Sverrir Gudnason, que faz o papel do jornalista Mikael Blomkvist, se torna um coadjuvante quase esquecido neste filme, tendo um papel investigativo extremamente reduzido e que só serve para encontrar pistas que coincidentemente aparecem em seu caminho. Para os fãs da série de livros pode soar uma decisão muito minimalista, já que o personagem literário tem grande importância investigativa em todos os livros em que apareceu. O mesmo ocorre com Plague, um hacker amigo de Lisbeth, que é usado em alguns momentos de alivio cômico, porém tem uma parcela maior de tempo na tela e sua presença é essencial para os planos da protagonista.

Tecnicamente, o recurso do som retumbante e amplificado de objetos ou situações corriqueiras usado neste filme ficou muito bacana. Quando o diretor deseja marcar um momento de grande tensão, mesmo os mais simples, ele recorre a amplificação sonora de um barulho, que mal seria ouvido naturalmente, para passar a sensação de dor, perda e até estresse emocional na tela.

Crítica: “Millenium” A Garota na Teia da Aranha

David Lagercrantz

O filme aborda de forma velada o abuso infantil da protagonista e sua respectiva irmã pelo pai, não há quase cenas de nudez feminina e mantém a trama em movimento sem deixar você respirar muito para analisar alguns eventos da história. Este filme não tem qualquer tipo de momento romântico entre os protagonistas e muito menos deseja que isso ocorra devido a urgência do problema que eles devem lidar. Todos os envolvidos se comportam de forma profissional e eficiente. As Aranhas, uma rede de criminosos sediada em Estocolmo, realmente representam o que há de pior no ser humano, não medindo esforços para alcançar seus objetivos e fazendo valer de sua reputação de pessoas cruéis e calculistas.

Devo destacar dois primorosos momentos cinematográficos deste filme que são a sequência dramática no aeroporto e as cenas de ação feitas dentro da Mansão dos Aranhas, pois são dignas de aplausos pela sua execução, mostrando toda a eficiência da mente estratégica de Lisbeth.

CURIOSIDADES LITERÁRIAS:

Crítica: “Millenium” A Garota na Teia da Aranha

Stieg Larsson

O autor que criou a série de livros Millenium, Stieg Larsson, era jornalista em Estocolmo e escritor de sucesso em seu país. Faleceu de ataque cardíaco aos 50 anos de idade em 2004 enquanto subia as escadas do prédio de sua editora. Como era um pesquisador independente do extremismo político na Suécia, recebeu diversas ameaças a sua vida, logo as investigações sobre seu infarto verificaram a possibilidade de ter sido uma morte induzida o que descartou-se meses depois. Em maio de 2008, um testamento escrito pelo falecido autor em 1977 foi revelado por Eva Gabrielsson, sua namorada na época. Neste documento, Stieg passava todos os seus bens e fortuna, bem como os direitos de suas obras e respectivos royalties de venda para o Partido Socialista de seu país. Infelizmente, como o documento não possuía testemunhas, ele foi considerado inválido de acordo com a lei sueca. Dessa forma, o judiciário decretou que os direitos seriam dados para o pai e irmão do falecido o que gerou grande insatisfação para Eva e seus amigos do partido socialista. Atualmente, a franquia continua sendo escrita pelo jornalista David Lagercrantz que lançou “A Garota na Teia da Aranha” (2015) e “The Girl Who Takes an Eye for an Eye” (2017) que ainda vai receber tradução no Brasil.

Nota:

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