Crítica: “Robin Hood – A Origem”

A FLECHADA QUE ERROU O ALVO

Crítica: "Robin Hood - A Origem"

O filme “Robin Hood – A Origem” inicia com a premissa de trazer uma nova visão sobre a história do heróico e galante ladrão arqueiro e, apresenta uma frase importante em sua abertura: “Esqueça tudo o que você viu antes”.Realmente, essa afirmação é verdadeira e catastrófica, pois o roteiro tenta apresentar uma aventura sobre a sua origem que é vagamente baseada em tudo oque já fora visto sobre Robin de Locksley. Os erros históricos e equívocos graves sobre o comportamento dos personagens,costumes da época, vestuário, armas e armaduras, causam um enorme desconforto estético e narrativo. A tentativa de mesclar o moderno com o medieval é um total desastre, deixando a trama se perder em meio a um exercício dedes contruir e reinventar um personagem já consagrado na literatura e cinema mundial. Inclusive, há referências diretas ao clássico filme “Robin Hood” de Kevin Costner, mas que se perdem em meio a um fluxo inconstante de narrativa que tenta mostrar uma conspiração insólita entre o alto clero e o xerife local.

Um exemplo desse exercício contínuo é quando uma unidade de guerreiros cruzados se move pelas ruas de uma cidade árabe se comportando como um moderno grupamento militar de soldados americanos no Afeganistão. As armaduras e vestes de pano cor de areia tem semelhança visual a uma versão dos uniformes e coletes táticos americanos. A situação é tão aberrante que se mudassem os arcos por metralhadoras você não sentiria diferença.

Claramente, “Robin Hood – A Origem” tem diversos problemas de roteiro e figurino que acabam forçando situações que jamais poderiam ocorrer em um período medieval como aquele, tais como a relação entre plebeus e nobres, que mais parece uma parceria comercial do que uma relação de subserviência gerada pelo feudalismo. A presença de um muçulmano dentro de uma cidade católica é tratada como algo irrelevante e não causa reação nenhuma por parte dos governantes e guardas (mesmo estando em época das cruzadas), sem falar que o herói está sempre ao lado dele em diversas situações e sua “identidade secreta” nem é comprometida a partir desse fato. Will, um plebeu e minerador, fala com os nobres e o clero como se eles fossem empresários e investidores, chegando ao cumulo de destratar uma pessoa em posição social superior, e todos acham isso perfeitamente aceitável e normal. Sequências inteiras tem o impacto da narrativa reduzido pela estética e comportamento moderno, tais como os guardas do Xerife de Nottingham que agem como policiais do século 21, portando escudos de metal com pequenas aberturas que mais parecem com os escudos de tumulto usados por pelotão de choque e, ainda usam de táticas atuais de contenção de multidão. As incongruências no roteiro se acumulam como uma avalanche até chegar ao ponto de dizer que a cidade é uma enorme fonte de renda para o esforço da cruzada, porém o que parece ser a princípio a fonte da riqueza (uma mina com visual de siderúrgica e chaminés que cospem fogo, literalmente), se descobre ser um tipo de assentamento independente que faz negócios com a nobreza, algo totalmente fora de contexto em uma região regida pelo sistema feudal da Inglaterra. Em minha opinião, o momento mais bizarro do filme é sem dúvida a festa de gala dos nobres que tem até cassino dentro do castelo, onde há a presença dos mais variados vestuários que deixariam o figurinista do ‘Quinto Elemento’ horrorizado, pois não se encaixa em nenhum período histórico ou contexto da trama. Se tivessem feito um filme voltado para um cenário pós-apocalíptico, com analogias modernas e um visual retrô ficaria muito mais interessante e divertido de ver do que as cenas apresentadas durante a sua exibição.

Nota:

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