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“Entrevista com o Demônio” é um filme de terror que consegue prender a atenção do público ao explorar a decadência da fama e o impacto da tecnologia, ambientado em um cenário sobrenatural. O longa-metragem, estrelado por David Dastmalchian no papel do apresentador Jack Delroy, se destaca pela maneira como mescla horror psicológico com elementos sobrenaturais, criando uma atmosfera de suspense e mistério.

A trama considera Jack Delroy, apresentador de TV dos anos 70, cuja carreira despenca logo após a trágica morte de sua esposa. Ele tentou fazer algo extraordinário para seu público ao apresentar uma programação especial de Halloween em 1977 para retornar à televisão. Ele não previu que a noite de diversão se transformaria em um pesadelo quando pediu a uma parapsicóloga, interpretada por Laura Gordon, que apresentasse seu último livro.

A história fica ainda mais compactada na escuridão com a participação de Lilly D’Abo, uma jovem de dezoito anos sobrevivente de um suicídio em massa em uma igreja satânica, interpretada por Ingrid Torelli.

A construção da narrativa é muito tensa e mantém genuinamente um ritmo crescente de tensão. O filme também se sai muito bem tematicamente, desde a busca pela fama até a personalidade cult, com a influência das mídias e tecnologias emergentes daquele período. Como tal, estes elementos são combinados para criar um cenário bastante fascinante e seriamente perturbador, contra o qual o terror pode desenrolar-se aos poucos e implacavelmente.

David Dastmalchian atua de forma convincente como Jack Delroy, trazendo desespero ao seu personagem e mostrando a bile de um passado e a carreira fracassada que o assombra. Laura Gordon e Ingrid Torelli completam este conjunto talentoso com igual poder de fogo, dando corpo a personagens profundamente complicados.

A direção do filme é competente e consegue um bom equilíbrio entre seus elementos de terror e com a crítica social implícita na trama. O cenário – década de 1970 – é bem feito, desde os figurinos até a trilha sonora, imergindo completamente o espectador na época. Sombras e iluminação foram utilizadas de forma eficaz nesta cinematografia para uma atmosfera de tensão contínua.

Os efeitos visuais não são exagerados e sutis, e assim, somam-se à construção de um horror muito mais psicológico, não dependendo de sustos fáceis. Uma densa atmosfera de opressão e perigo constante é sustentada ao longo do filme. Locais como o estúdio de televisão e a igreja satânica acrescentam um elemento extra de desconforto combinado com claustrofobia.

Embora “Entrevista com o Demônio” não permaneça apenas um filme de terror, ele tem algumas preocupações sociais, como a obsessão pela fama e o preço de ser conhecido. Também analisa a fragilidade humana face a forças sobrenaturais – hum – forças fora do controlo humano. O que surge é a forma como a tecnologia é representada neste filme como um meio de manipulação, até mesmo de controle, o que é particularmente relevante considerar nos contextos do tempo e nas reflexões contemporâneas sobre o papel dos meios de comunicação.

Em suma, “Entrevista com o Demônio” é um filme de terror que se destaca não só pelo enredo aterrorizante, mas também pela correção dos temas e pela qualidade das atuações. Esta é uma obra que proporciona muito mais do que sustos superficiais, suscitando uma reflexão sobre a natureza da fama e o impacto de forças fora do nosso controle.

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